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Quem foi Josef Stalin, o famoso monstro de aço

Na percepção de muitos, Stalin derrotou Hitler e transformou um país agrário em superpotência. Ao mesmo tempo, construiu campos de trabalho forçado e matou milhões de pessoas.

Amante do cinema, o secretário-geral do partido comunista soviético enxergava a si próprio como o sucessor de “Ivan, o Terrível”, algo um tanto quanto contraditório para um leninista. Mas a vida de Stalin seria marcada por contradições. Por um lado, o líder máximo soviético comandou a resistência que mudou os rumos da 2ª Guerra Mundial ao botar os nazistas para correr da URSS. Por outro, fez escolhas políticas que levaram à morte de pelo menos 20 milhões de pessoas, número que pode chegar, dependendo do conhecimento, a 40 milhões.

A personalidade inconstante já havia sido identificada por Lenin. Em seu testamento, o líder bolchevique expunha o receio com o que poderia acontecer caso Stalin fosse seu sucessor. Depois da morte de Lenin, em 1924, Stalin escondeu o testamento. Para Lenin, o nome de Trotsky com quem compartilhava o ideal de revolução permanente era o mais adequado para sucedê-lo. Mas acabou sendo Stalin, adepto ao socialismo de um só país, quem se tornaria o novo líder máximo da URSS. E de certa forma daria dor de cabeça para Adolf Hitler.

DE PADRE A ASSALTANTE

Nascido em Gori, na Geórgia, em 1878, Iosif Vissarionovich Djugashvili só adotaria o famoso pseudônimo em 1913. Stalin, em russo, remete a feito de aço. E era assim que o jovem bigodudo se via e como ficou conhecido, como um homem de aço. Filho de um sapateiro beberrão e de uma faxineira, o futuro revolucionário teve uma infância sofrida. Foram diversos fatores, aliados ao espírito de agitador, que motivaram sua dispensa do Exército quando ele se alistou para combater na 1ª Guerra.

Quando adolescente, Stalin frequentou um seminário da Igreja Ortodoxa Russa. Foi lá que aprendeu o idioma russo e a pensar de maneira sistemática, lendo panfletos marxistas clandestinos e adquirindo consciência política. Tudo por conta do clima repressivo do lugar. Aos 20 anos, Koba, como era chamado pelos amigos, abandonou os estudos sacerdotais para abraçar a fé comunista, mais tarde, sua mãe confessou que preferia tê-lo visto padre. Seu plano, agora, era se empenhar pela revolução. Hierarquia, disciplina e luta de classes viraram expressões corriqueiras em seu dia a dia. Assim como incitar manifestações, espancar adversários e roubar bancos. Stalin chegou a ser preso e enviado para a Sibéria sete vezes. E foi no isolamento que desenvolveu algumas de suas características mais marcantes, a frieza e a autossuficiência.

O primeiro contato com Lenin aconteceu em 1905, e em pouco tempo cairia nas graças do líder bolchevique. Lenin se referia a ele como: “o georgiano que nos consegue dinheiro”. A função de Stalin era fazer o trabalho sujo em toda e qualquer ação revolucionária. Na posição de capataz de Lenin, e ainda que não fosse um intelectual como Trotsky, Stalin ganhou respeito dentro do Partido Comunista.

TERROR VELADO

Após a morte de Lenin, a propaganda oficial e os órgãos de repressão atuaram duramente contra qualquer movimento de contrarrevolução. Comandada por Stalin, a URSS queria se consolidar como Estado unificado, combatendo o nacionalismo de todas as formas. Pouco afeito a longos discursos e fraco de oratória, Stalin costumava dizer que qualquer problema poderia ser resolvido com o uso da força. Era o que acontecia, por exemplo, com os camponeses, vistos como capitalistas rurais que freavam a revolução. A solução era expulsá-los de suas terras e enviá-los a fazendas coletivas, cidades industriais ou mesmo a campos de trabalho forçado.

A prosperidade ucraniana, a autonomia cultural do país e a resistência de seus agricultores levaram Stalin a condenar pelo menos 5 milhões de pessoas à morte pela fome. Isso porque, ele ordenou a proibição da compra, troca ou venda de alimentos, num evento que ficou conhecido como holocausto ucraniano.

Para industrializar a URSS, Stalin deu início, a uma série de planos quinquenais. Com projetos grandiosos, como a construção de canais, represas, ferrovias e formação de grandes indústrias, a URSS logo entraria na era moderna. Enquanto o resto do mundo sofria com a recessão histórica da quebra da bolsa de Nova York, a economia soviética cresceu. Tamanha expansão só seria obtida pagando um alto preço, o trabalho escravo. Os Gulags abrigavam centenas de milhares de pessoas. Considerados criminosos e inimigos do Estado, os trabalhadores desses locais se resumiam a qualquer um que não agradava ao regime que seriam os camponeses, presos políticos, intelectuais e pessoas de outras etnias. A brutalidade stalinista também ganharia destaque com os expurgos, iniciados com a finalidade de identificar membros do partido que não se mostravam suficientemente militantes ou leais.

Se alguém em algum momento, tivesse discordado de Stalin poderia agora ser preso, julgado e fuzilado. O próprio ditador costumava deleitar-se assistindo aos chamados julgamentos de fachada, usados para convencer o povo de que havia inimigos por toda parte. Em muitos casos, antigos camaradas eram torturados e obrigados a confessar conspirações das quais nunca participaram. Stalin exigia apoio incondicional e sem discussão, e muitas mudanças em suas posições políticas nunca seriam explicadas.

Estima-se que Stalin tenha assinado de próprio punho a execução de 41 mil pessoas. Além disso, autorizou o envio de pelo menos 8 milhões aos Gulags. Qualquer indivíduo era um suspeito em potencial, oficiais das forças armadas, membros do comitê central, dirigentes empresariais, cientistas, escritores e até mesmo amigos próximos.

CAMARADA DE FAMÍLIA

Filha de um revolucionário, Nadeja esposa de Stalin, foi confidente de Lenin e não se conformava com a política conduzida pelo marido. Antes disso, Yakov, filho de Stalin com a primeira esposa, havia tentado se matar depois de uma briga com o pai. Anos depois, na 2ª Guerra, Yakov morreria nas mãos dos nazistas. Stalin deu de ombros.

Depois da morte de Nadeja, com quem teve outros dois filhos, o tirano viveu recluso. Morou em uma casa de veraneio, nos arredores de Moscou. Stalin costumava ler documentos oficiais até altas horas da madrugada, especialmente durante a 2ª Guerra, quando trabalhava 15 horas por dia. Com o tempo, e ainda mais depois da guerra, a paranoia e a desconfiança em relação até mesmo aos mais íntimos só aumentariam. Como um déspota à moda antiga, exigia que sua comida fosse provada por outra pessoa para se certificar de que não estivesse envenenada.

Stalin envelheceu solitário e desolado, mas sempre temido. Morreu aos 73 anos, não resistiu a um derrame. A imagem de herói do povo alçou o ditador a duas indicações ao Nobel da Paz. E assim ele foi visto, até quando Nikita Kruschev apresentou à cúpula do partido os arquivos secretos do stalinismo, expondo ao mundo a face desumana daquele que foi o mais contraditório estadista do século 20.

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